Pinceladas

por Gladis Maia

“…Os professores do mundo todo estão adoecendo             coletivamente. Os professores são cozinheiros do conhecimento, mas     preparam o alimento para uma platéia sem apetite. Qualquer mãe fica     um pouco paranóica quando seus filhos não se alimentam. Como exigir saúde dos professores se seus alunos não se alimentam? Como exigir     saúde dos professores se seus alunos têm anorexia intelectual? É por     causa da saúde deles e de seus alunos que a educação tem de ser reconstruída.”   Augusto Cury

Augusto Cury em Pais brilhantes e  Professores fascinantes comenta que a tarefa de educar se compara a de um artesão da personalidade, um poeta da inteligência, um semeador de idéias, mesmo que a Educação esteja passando por uma crise sem precedentes na História da humanidade.

Num contexto onde somos ao mesmo tempo criadores e vítimas do sistema social que   inventamos, numa sociedade onde o ter e não o ser , a estética e não o conteúdo, o consumo e não as idéias são o mais importante, mais do que nunca os educadores,  apesar de suas dificuldades,  são insubstituíveis.

A gentileza, a solidariedade, a fraternidade, a ética, a tolerância,a inclusão, os sentimentos altruístas, enfim, todas as áreas da sensibilidade não podem ser ensinadas por máquinas, e sim por seres humanos,  por mais que a tecnologia venha a se superar.

Dentre as incumbências de  um professor fascinante,  está a de educar a emoção, estimulando o pensar antes de reagir,o não ter medo de ter medo, incentivando o aluno a ser autor de sua história, sabendo filtrar os estímulos estressantes e  trabalhando não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com as contradições da vida.

Assim agindo poderemos poupar  lágrimas,evitar doenças  psíquicas e até suicídios.Não teríamos os psicopatas, os insensíveis, que machucam e não medem as conseqüências dos seus atos, por que nada sentem… Os hipersensíveis, que se doam além dos limites, mas que não possuem proteção emocional para si mesmos. Os alienados, que não ferem, mas no entanto não querem nada com nada, sem metas, sem futuro, sem sonhos, deixam-se levar pela vida….

A escola não tem conseguido educar a emoção, Precisamos formar jovens que tenham uma emoção rica, protegida e integrada.
Além de educar a emoção, precisamos ensinar os alunos a serem pensadores e não repetidores de informação. A educação clássica, transforma a memória num banco de dados, ocupando um espaço precioso com informações de pouco uso ou mesmo inúteis. Um bom professor se preocupa com as notas dos seus alunos, já um professor fascinante se preocupa em tranformá-los em engenheiros de idéias.

Cury alerta  que os professores  – sempre tendo em mente a SPA , Síndrome do Pensamento Acelerado – deverão também proteger sua emoção diante dos conflitos dos alunos. A melhor resposta nestas horas é não dar resposta alguma. É o silêncio! Respire fundo e surpreenda a classe com gestos inesperados. Leve-os, com suas palavras e coração aberto a pensar, a mergulharem dentro de si. Não é fácil, mas é possível!

Com a emoção tensa fecha-se  o território de leitura da memória, obstrui-se a construção de cadeias de pensamento e agimos por instinto, não com a inteligência, mas como animais.

Leve seus alunos a explorarem o desconhecido para não terem medo do fracasso, mas somente medo de não tentarem. Novas experiências propiciam crescimento intelectual e geram flexibilidade, Só não muda de idéia quem é incapaz de produzi-las. Professores fascinantes são promotores de auto-estima. Dão atenção especial aos alunos tímidos, aos desprezados pelo grupo, pois percebem que estes poderão ficar encarcerados em seus traumas.

Cury aponta 7 pecados capitais cometidos entre os educadores. Corrigir publicamente um aluno é o <strong>primeiro</strong> deles, porque  pode gerar um trauma inesquecível que   controlará a vítima  por toda a  sua vida. A pessoa que erra deve ser mais valorizada do que o erro. O <strong>segundo </strong>pecado é expressar autoridade com agressividade. O <strong>terceiro</strong> é ser excessivamente crítico, o que  obstrui a infância ou adolescência. Punir quando se está com raiva e colocar limites sem dar explicações é o <strong>quarto</strong> pecado. O <strong>quinto</strong>,  é ser impaciente ou desistir de educar, não acreditando nas potencialidades do aluno. Os alunos insuportáveis é que testam o nosso humanismo, pois por  trás de cada aluno arredio ou agressivo há uma criança implorando afeto. O <strong>sexto</strong> pecado é não cumprir a palavra dada. Perde-se a confiança e confiança perdida dificilmente é restaurada… <strong>E o sétimo, e maior pecado cometido pelos educadores</strong>, na concepção de Cury, é a destruição da esperança e dos sonhos dos nossos alunos.

Os jovens que perdem a esperança têm enormes dificuldades para superar seus conflitos, por menores que sejam. Os que perdem seus sonhos são opacos, não tem  brilho, gravitam em torno de suas misérias emocionais e nada produzem.

Não esqueçamos que, como canta Augusto Cury, “Os psiquiatras, os médicos clínicos, os professores e os pais são vendedores de sonhos. Uma pessoa só comete suicídio quando seus sonhos se evaporam, sua esperança se dissipa”. Sejamos, pois,  conscientes do que vendemos nas nossas salas de aula … Pensem nisso! Namastê!Ubuntu!!

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O Hospital Mário Penna em Belo Horizonte  que cuida de doentes de câncer,  lançou um projeto sensacional que se chama  ”DOE PALAVRAS”.

Fácil, rápido e todos podem doar um pouquinho.
Você acessa o site http://www.doepalavras.com.br/, escreve uma mensagem de otimismo, curta (como twitter) e sua mensagem aparece no telão para os  pacientes que estão fazendo o tratamento.

Pessoal, é muito linda a reação de esperança dos pacientes.
Participem, não apenas hoje, mas, todos os dias, dêem um pouquinho das suas palavras e de seus pensamentos.

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PARA REFLETIR NO MÊS DAS CRIANÇAS!

Posted on outubro 17th, 2009 por Gladis Maia

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GLADIS MAIA

A criança nasce sem hábitos, sem informações, sem preconceitos e sem compromisso com o passado. Se os adultos tivessem consciência disto, durante todo o tempo de convívio, teriam mais cuidado na sua introdução na sociedade.

Os professores, parte integrante desta socialização, não seriam autoritários, impedindo a criança de conhecer outras idéias, além daquelas que eles consideram as melhores.

Os primeiros anos são decisivos no desenvolvimento da sua inteligência, da sua sensibilidade e da vontade e, convenhamos que, o processo depende muito mais dos outros do que dela própria, pois ela trabalha com as informações, quase todas, fornecidas pelos adultos. Tratá-la como ser inteligente, reconhecendo e assegurando-lhe o direito de pensar é uma exigência de sua condição humana, seja qual for a criança, seja qual for o adulto, não só os professores que com ela se relacionam.

A transmissão de informações começa muito cedo, já durante a sua educação infantil, e ocupa parte substancial do processo educativo, tanto em casa quanto na Escola. O diálogo com professores e pais pacientes e interessados no seu desenvolvimento é o melhor veículo para este fim.

As crianças são muito curiosas e perguntam muito, quando deixamos. É aconselhável, mesmo quando não saibamos dar a resposta desejada, que façamos alguma coisa para que ela busque a resposta no lugar certo.

A criança é capaz de pensar e consegue compreender muitas coisas aparentemente difíceis e complicadas, é só transmitir com paciência, simplicidade e inteligência. E, na pior das hipóteses – por preconceito nosso, que separamos os assuntos tratáveis de acordo com faixas etárias – todos sabemos que falar aos seus sentimentos, muitas vezes, é bem mais eficiente do que lhe falar à razão.

Lembremos que toda criança tem o direito de dar e de receber afeto e ela sempre terá algo puro, ingênuo e agradável a nos retribuir, se lhe dermos atenção. A falta de afeto faz crianças tristes e revoltadas, que se mostram rebeldes, indisciplinadas ou simplesmente incapazes de agir com segurança e serenidade.

A criança tem uma enorme reserva afetiva e quer distribuí-la. Ela gosta de agradar aos que vivem ao seu lado. Isto não pode ser interpretado, como fazem muitos professores, como uma atitude calculada e interesseira, de quem está procurando uma retribuição outra que não a troca de afeto. Os adultos é que agem assim.

Não é raro uma criança manifestar carinho por alguém ou mesmo um animal que está sofrendo.Pelo afeto a criança procura relacionar-se com os outros e só pelos sentimentos ela poderá fazer essas conquistas. Impedi-la de expandir seus sentimentos, em nome de uma idéia absurda de disciplina, é agredir sua natureza. Tal atitude poderá acumular frustrações, tendendo a fechar-se em si, deixando aberto o caminho para que ela venha a tornar-se calculista e dissimulada.

Da mesma forma é bastante grave retribuir-lhe com indiferença ou grosseria uma demonstração de afeto. Inclusive quando essa atitude é muito repetida acaba por fazê-la amarga, desconfiada, temerosa de revelar-se, dificultando enormemente o seu relacionamento humano.

E, pobre dos patinhos feios …. Freqüentemente há diferença no tratamento dispensado às crianças que são bonitas, simpáticas agradáveis ou inteligentes. Pobres das que são consideradas feias, desajeitadas e sem graça…

A vida apresenta: de um lado, crianças nascidas sob o signo da festa, da alegria, bem dispostas e confiantes; e do outro, crianças vítimas do excesso, estragadas pela proteção paternalista, desconfiadas, com medo dos adultos, mas que necessariamente não são más.

A criança segue modelos recebidos no seu lar, no saguão do edifício, nos corredores, no campinho de futebol, na rua…. Pronuncia palavras do seu ambiente, dá opiniões e repete gestos ali adotados, segue exemplos. A Escola recebe, não raro, crianças machucadas, física e psicologicamente, e, como se isto não bastasse, a intimida, confunde, entorpece, em vez de despertá-la, animá-la e alegrá-la.

Os primeiros anos são decisivos no desenvolvimento da sua inteligência, da sua sensibilidade e vontade, e, o processo depende muito mais dos outros, do que dela própria, pois ela trabalha com as informações recebidas dos adultos e das outras crianças, geralmente mais velhas.

Dito isto, não é difícil compreender que nossa responsabilidade para com as crianças, enquanto educadores, pais e adultos, em geral, é enorme. Pensemos nisto, especialmente no mês dedicado a elas. Namastê!

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