Pinceladas

por Gladis Maia

PARA REFLETIR NO MÊS DAS CRIANÇAS!

Posted on outubro 17th, 2009 por Gladis Maia

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GLADIS MAIA

A criança nasce sem hábitos, sem informações, sem preconceitos e sem compromisso com o passado. Se os adultos tivessem consciência disto, durante todo o tempo de convívio, teriam mais cuidado na sua introdução na sociedade.

Os professores, parte integrante desta socialização, não seriam autoritários, impedindo a criança de conhecer outras idéias, além daquelas que eles consideram as melhores.

Os primeiros anos são decisivos no desenvolvimento da sua inteligência, da sua sensibilidade e da vontade e, convenhamos que, o processo depende muito mais dos outros do que dela própria, pois ela trabalha com as informações, quase todas, fornecidas pelos adultos. Tratá-la como ser inteligente, reconhecendo e assegurando-lhe o direito de pensar é uma exigência de sua condição humana, seja qual for a criança, seja qual for o adulto, não só os professores que com ela se relacionam.

A transmissão de informações começa muito cedo, já durante a sua educação infantil, e ocupa parte substancial do processo educativo, tanto em casa quanto na Escola. O diálogo com professores e pais pacientes e interessados no seu desenvolvimento é o melhor veículo para este fim.

As crianças são muito curiosas e perguntam muito, quando deixamos. É aconselhável, mesmo quando não saibamos dar a resposta desejada, que façamos alguma coisa para que ela busque a resposta no lugar certo.

A criança é capaz de pensar e consegue compreender muitas coisas aparentemente difíceis e complicadas, é só transmitir com paciência, simplicidade e inteligência. E, na pior das hipóteses – por preconceito nosso, que separamos os assuntos tratáveis de acordo com faixas etárias – todos sabemos que falar aos seus sentimentos, muitas vezes, é bem mais eficiente do que lhe falar à razão.

Lembremos que toda criança tem o direito de dar e de receber afeto e ela sempre terá algo puro, ingênuo e agradável a nos retribuir, se lhe dermos atenção. A falta de afeto faz crianças tristes e revoltadas, que se mostram rebeldes, indisciplinadas ou simplesmente incapazes de agir com segurança e serenidade.

A criança tem uma enorme reserva afetiva e quer distribuí-la. Ela gosta de agradar aos que vivem ao seu lado. Isto não pode ser interpretado, como fazem muitos professores, como uma atitude calculada e interesseira, de quem está procurando uma retribuição outra que não a troca de afeto. Os adultos é que agem assim.

Não é raro uma criança manifestar carinho por alguém ou mesmo um animal que está sofrendo.Pelo afeto a criança procura relacionar-se com os outros e só pelos sentimentos ela poderá fazer essas conquistas. Impedi-la de expandir seus sentimentos, em nome de uma idéia absurda de disciplina, é agredir sua natureza. Tal atitude poderá acumular frustrações, tendendo a fechar-se em si, deixando aberto o caminho para que ela venha a tornar-se calculista e dissimulada.

Da mesma forma é bastante grave retribuir-lhe com indiferença ou grosseria uma demonstração de afeto. Inclusive quando essa atitude é muito repetida acaba por fazê-la amarga, desconfiada, temerosa de revelar-se, dificultando enormemente o seu relacionamento humano.

E, pobre dos patinhos feios …. Freqüentemente há diferença no tratamento dispensado às crianças que são bonitas, simpáticas agradáveis ou inteligentes. Pobres das que são consideradas feias, desajeitadas e sem graça…

A vida apresenta: de um lado, crianças nascidas sob o signo da festa, da alegria, bem dispostas e confiantes; e do outro, crianças vítimas do excesso, estragadas pela proteção paternalista, desconfiadas, com medo dos adultos, mas que necessariamente não são más.

A criança segue modelos recebidos no seu lar, no saguão do edifício, nos corredores, no campinho de futebol, na rua…. Pronuncia palavras do seu ambiente, dá opiniões e repete gestos ali adotados, segue exemplos. A Escola recebe, não raro, crianças machucadas, física e psicologicamente, e, como se isto não bastasse, a intimida, confunde, entorpece, em vez de despertá-la, animá-la e alegrá-la.

Os primeiros anos são decisivos no desenvolvimento da sua inteligência, da sua sensibilidade e vontade, e, o processo depende muito mais dos outros, do que dela própria, pois ela trabalha com as informações recebidas dos adultos e das outras crianças, geralmente mais velhas.

Dito isto, não é difícil compreender que nossa responsabilidade para com as crianças, enquanto educadores, pais e adultos, em geral, é enorme. Pensemos nisto, especialmente no mês dedicado a elas. Namastê!

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